CT/Academia de Beisebol celebra 25 anos
Centro de Treinamento da Yakult inaugurado em 1999 é o maior estádio de beisebol da América Latina
O Centro de Treinamento/Academia de Beisebol da Yakult, instalado na cidade de Ibiúna, no interior de São Paulo, foi inaugurado em 1999 para ser um local de estímulo à prática do esporte. No ano seguinte, a multinacional firmou parceria com a Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS), que passou a ser responsável pela coordenação esportiva do local. Ao comemorar 25 anos, o CT/Academia apresenta números expressivos: cerca de 800 atletas já passaram pela Academia e aproximadamente 150 foram contratados para atuar fora do País. Destes, aproximadamente 80 atletas do beisebol saíram para atuar na Liga Independente no México, na Venezuela, República Dominicana e nos Estados Unidos, países onde o beisebol é um esporte altamente competitivo. Além disso, 60 atletas de softbol foram jogar no Japão, na Alemanha, Itália e França em colégios, universidades, liga profissional, semiprofissional e liga industrial/independente.
O CT/Academia possui 226 mil m2 de área total com três campos oficiais, salas de musculação, de fisioterapia e de treinamentos, além de quadra poliesportiva. Considerado o melhor estádio de beisebol da América Latina, comporta 3 mil pessoas e tem estacionamento para mil carros. Tradicional apoiadora de beisebol no Japão, onde mantém o time profissional Tokyo Yakult Swallows – vencedor de cinco títulos da liga Nippon Professional Baseball (NPB) –, o objetivo da Yakult com essa ação de responsabilidade social no Brasil é estimular o gosto pelo beisebol em crianças e jovens, além de incentivar os atletas para a consolidação da carreira neste esporte.
Para o presidente da Yakult do Brasil, Atsushi Nemoto, a parceria com a CBBS tem ajudado a proporcionar aos jovens praticantes do beisebol a oportunidade de gostarem ainda mais do esporte e se profissionalizarem. “O esporte é muito importante para a formação de crianças e jovens, e o fato de alguns dos atletas assinarem contratos com grandes times nos dá a certeza de que estamos colaborando realmente para que tenham uma carreira promissora”, reforça.
A Academia iniciou 2024 com 50 atletas (Acadêmicos), incluindo 18 novatos, representando os estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os jogadores passam por seletiva a cada início de ano para serem aceitos, pois o objetivo é o alto rendimento. Segundo o presidente da CBBS, Jorge Otsuka, este é um projeto muito importante para o beisebol brasileiro e a Yakult é a maior parceira da entidade. “No CT/Academia são treinados os melhores atletas de beisebol do Brasil, de 13 a 18 anos de idade, além de ser a sede dos treinamentos das seleções nacionais da categoria de base até adulto”, informa o coordenador técnico da CBBS, Ricardo Iguchi. Em média, são realizados 35 campeonatos nacionais, estaduais e torneios por ano no complexo esportivo que, no decorrer dos anos, já recebeu vários eventos internacionais, assim como as seletivas para as seleções.
Softbol
Além dos atletas do beisebol masculino, o softbol feminino também tem seu espaço garantido no CT/Academia da Yakult. Os times femininos utilizam a estrutura em campeonatos e para concentração da Seleção Brasileira em várias categorias, porque os treinos regulares são realizados em suas cidades de origem. Ao longo dos anos, vários campeonatos de softbol já foram realizados no CT da Yakult. Em 2024, houve treinamentos no CT da Seleção Adulta que disputou o Campeonato Sul-americano em Lima, no Peru; da Seleção Sub15 que disputou o Campeonato Sul-americano Sub15, na Argentina; e da Seleção Sub18 que disputou a Copa do Mundo de Softbol 2024 – Fase de Grupos, em São Paulo. No Brasil, anualmente são realizados dois campeonatos para as categorias Sub11, Sub13, Sub16, Sub19, Sub23, além de três para o Adulto, totalizando 13 campeonatos oficiais.
Carreiras em grandes times do exterior
Celeiro de novos talentos
O CT/Academia da Yakult também é reconhecido como um celeiro de novos talentos, atraindo a atenção de ‘olheiros’ de equipes da Major League Baseball (MLB) e de universidades japonesas e norte-americanas, entre outras ligas que vêm buscar os melhores atletas brasileiros. Como não tem uma liga profissional forte como a MLB, as atletas brasileiras de softbol têm a oportunidade de jogar em times de faculdades e universidades nos Estados Unidos. O país, com mais de 50 instituições de ensino superior com times de softbol feminino, dá oportunidade para as atletas estudarem e jogarem por até quatro anos.
Dentre os atletas de beisebol que assinaram contratos com times profissionais está Gabriel de Souza Barbosa, que começou a jogar com menos de oito anos. Aos 14, passou a treinar no CT, onde permaneceu de 2017 até julho de 2018, quando assinou um contrato de sete anos com o Colorado Rockies, da cidade de Denver, nos Estados Unidos. O contrato envolvia possível troca de time e dispensa a qualquer momento. Assim, quando completou cinco anos no Rockies, o New York Yankees o escolheu no Rule 5 (evento anual que permite a troca de jogadores).
Para o pitcher (arremessador) de 22 anos, a experiência de sair do interior de São Paulo e morar em diferentes países tem sido incrível. “O beisebol mudou a minha vida e tudo o que tenho devo a Deus, aos meus pais e ao esporte. Meu principal plano é me manter saudável para seguir jogando e competindo, ganhar dinheiro e tirar minha mãe do trabalho”, afirma. O jogador também serve a Seleção Brasileira de Beisebol sempre que possível, e já representou o Brasil em Jogos Pan-americanos, pré-mundiais e classificatórias para o World Baseball Classic (WBC) – principal torneio internacional de beisebol.
Aos 19 anos de idade, o arremessador João Gabriel Marostica joga pela Seleção Brasileira desde os 11 anos. O jogador, que começou a praticar o esporte com seis anos, entrou no CT/Academia em 2020 e saiu em 2023. O primeiro contrato profissional foi assinado em fevereiro de 2024 com o Tochigi Golden Braves, da liga profissional independente no Japão. “Apesar de ser um choque cultural muito forte, estou muito contente com as pessoas em minha volta e só tenho a agradecer de estar realizando um sonho de criança de jogar beisebol profissional. Sem o esporte eu não seria a mesma pessoa. O esporte me ensinou a ter disciplina dentro e fora de campo e saber que tudo acontece no tempo certo”, ressalta o atleta, que tem como foco jogar na Nippon Professional Baseball (NPB) e aprender ao máximo sobre o beisebol japonês.
Gabriela Mit começou a jogar softbol aos 11 anos por intermédio de uma amiga da escola que era do Clube Nikkei, de Curitiba. “Eu era uma criança bem animada e, assim que fiz meu primeiro treino com o técnico Sensei Jânio, me apaixonei pelo esporte. O treino era onde gastava minha energia e esquecia do mundo”, relata. Em agosto de 2023, aos 19 anos, foi selecionada para jogar no time do Miami Dade College, nos Estados Unidos, onde também cursa a graduação em Computer Arts Animation – que termina em maio de 2025.
A catcher (receptora), que já jogou nas seleções Sub 15 (2019) e Sub 19 (2021), ressalta que a competição fora do Brasil tem mais atletas e investimento, por isso, é um estímulo para treinar muito e buscar sempre melhorar. E, como consequência dos treinos e esforços, há muitos retornos positivos não só no jogo, mas também na vida. A jogadora conta que gosta de conhecer pessoas, aprender e sempre aprimorar no softbol, pois o esporte lhe deu um futuro que nunca havia imaginado, permitiu conhecer as melhores amigas e muitas pessoas que admira, além de países novos. A atleta quer terminar os estudos e continuar jogando para representar o Brasil mais vezes no softbol, aproveitar as oportunidades que o esporte oferece e criar boas memórias.
Um dos avôs de Beatrice Hitomi Nakae é um dos fundadores do Clube Central (que depois se uniu ao Glória), de Curitiba, e o outro fez parte da diretoria do Clube Pinheiros. Assim, a atleta começou a jogar softbol com cinco anos por influência da família. Depois de cursar faculdade de Engenharia Civil no Brasil, em agosto de 2023 a center field (jardineira central) de 26 anos resolveu mudar para Big Spring, no Texas, para jogar pelo Howard Junior College. “Tem sido muito bom jogar nos Estados Unidos, principalmente pelo volume de jogos e pela qualidade das instalações esportivas. Jogamos muito e treinamos todos os dias, o que faz muita diferença na nossa técnica e experiência de jogo”, ressalta.
Além disso, Beatrice destaca a experiência de morar fora, se acostumar com cultura e idioma diferentes, conhecer pessoas e ter uma nova experiência de vida. O objetivo da jogadora – que é atleta do Central Glória no Brasil – é terminar o College em 2025 e fazer parte da Seleção Brasileira que vai disputar o Pan-americano de Softbol em Monteria, na Colômbia, valendo vaga para o Pan de 2027 e com o foco na classificação para as Olimpíadas de 2028. Beatrice Hitomi Nakae considera o esporte importantíssimo para seu desenvolvimento como pessoa, pois ensina valores como disciplina, responsabilidade e preparo emocional. •