A nova geração prateada
Fernanda Ortiz Especial para Super Saudável
Promoção da saúde e qualidade de vida são os grandes desafios para conquistar uma longevidade saudável
O mundo vivencia um processo de transição demográfico como nunca visto, em que o número global de pessoas com 60 anos ou mais só aumenta. Decorrente principalmente do declínio das taxas de fecundidade e da expansão da expectativa de vida, projeções da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a população idosa que, em 2017, era de 962 milhões no mundo, deve passar para 1,4 bilhão em 2030 e atingir 2,1 bilhões em 2050. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que, até 2060, haverá maior proporção de idosos do que de menores de 15 anos. A atual expectativa de vida, de 72 anos para homens e 79 para mulheres, passará para 77 e 84, respectivamente, nas próximas décadas. Essa nova realidade amplia as fronteiras do que se entende por ‘terceira idade’ e demanda novas formas de pensar a saúde, principalmente tendo como foco a promoção da qualidade de vida.
Longevidade é sinônimo de envelhecimento ativo e participativo, de acordo com as premissas da OMS. Isso significa que o indivíduo que integra grupos e defende seu ponto de vista, viaja, busca conhecimento, se ocupa e desfruta a fase em sua plenitude tem melhor qualidade de vida. “Ser ativo é acordar todos os dias com um propósito, é viver sem saudosismo e entender que as marcas no corpo são relatos de uma história de vida; é ter empatia pelo outro e resiliência, individual e social, para que possa enfrentar as perdas e mudanças, construindo possibilidades de se reinventar, ressignificar a vida e continuar envelhecendo bem”, analisa a professora doutora Vilma Duarte Câmara, neurologista geriátrica, professora emérita da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, e diretora científica da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). Entre os hábitos saudáveis para a longevidade ativa destaca-se, ainda, o investimento no capital social, que inclui afetividade e participação social ativa, boa alimentação, busca por momentos de lazer, prática de atividades culturais e físicas e desenvolvimento da espiritualidade.
A médica sanitarista e professora doutora Marília Cristina Prado Louvison, do Departamento de Política, Gestão e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), afirma que o envelhecimento populacional deve ser visto como um benefício, um sucesso tangível e um grande patrimônio que a sociedade brasileira foi conquistando aos poucos. “O aumento da expectativa de vida é resultado de avanços na tecnologia, nas condições de saneamento, no estilo de vida, na preocupação com a alimentação e na promoção da saúde, ou seja, é consequência de várias políticas públicas empregadas ao longo de décadas”, acentua. Entretanto, uma população mais velha implica mais desafios e, neste sentido, os sistemas de saúde precisam estar mais preparados para essa revolução da longevidade e para todas as demandas exigidas por essa parcela da população. A professora enfatiza que é preciso reconhecer o papel das políticas públicas na redução das desigualdades e na melhoria do acesso aos serviços públicos sociais e de saúde, um importante desafio no Brasil.
Segundo o professor doutor Marco Polo Dias Freitas, chefe do serviço de Geriatria do Hospital Universitário da Universidade de Brasília (HU-UnB), outro grande desafio para a longevidade é vencer a barreira da promoção da saúde, ampliando o acesso ao atendimento clínico e inibindo práticas desnecessárias e lesivas como, por exemplo, exames e medicações pouco úteis. “É imprescindível que os sistemas de saúde e seus profissionais utilizem as tecnologias disponíveis de diagnóstico e tratamento de forma adequada, sem exageros, avaliando o que é necessário para proporcionar cuidados de saúde mais seguros e efetivos aos idosos”, avalia. O médico cita a campanha Choosing Wisely, lançada em 2012 pela American Board of Internal Medicine Foundation (ABIM Foundation), que visa promover o diálogo entre médicos e pacientes acerca de exames, tratamentos e procedimentos desnecessários, para ajudá-los a fazer escolhas inteligentes e eficazes, garantindo cuidados de qualidade.
Dentre os desafios é preciso, ainda, criar políticas públicas e reorganizar os sistemas de saúde para o atendimento primário do idoso, seja nas Unidades Básicas de Saúde, pelo agente comunitário ou nos hospitais. “Será fundamental avançar na formação dos profissionais, ampliar a capacitação permanente e os processos normativos, transversalizar o conhecimento geriátrico e gerontológico. O ‘saber sobre a velhice’ precisa, de alguma forma, ocupar os cursos de graduação em saúde, a formação dos profissionais e o processo permanente dos que já estão inseridos no sistema”, destaca a médica Marília Cristina Prado Louvison. Essa conduta não significa fazer uma especialização no cuidado ao idoso, mas trabalhar para que o atendimento primário seja adequado, incluindo programas de prevenção de queda, atenção à saúde voltada aos agravos do envelhecimento, diagnóstico precoce, integração do sistema social e sanitário para cuidados de longa duração, normatização e regulamentação do cuidador como profissão, avançando para um sistema de saúde mais amigável ao idoso.
Avanços
Uma das principais explicações para o aumento da longevidade no mundo são os avanços da Medicina devido às descobertas científicas que trouxeram inúmeras contribuições para a promoção da saúde. Atualmente, os diagnósticos em 3D e a utilização das novas tecnologias, como equipamentos de tomografia computadorizada, cirurgias a laser ou com câmeras em alta resolução, auxiliam os médicos no tratamento de diferentes doenças. Já os novos medicamentos ajudam no controle de diabetes, doenças cardiovasculares, depressão, hipertensão e neoplasias, entre outras. “No entanto, independentemente de todos os avanços, as melhorias nas condições de saúde e o envelhecimento prolongado dependerão de esforços individuais, que incluem um estilo de vida mais saudável”, acredita o médico Carlos André Uehara, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
Apesar de todos os avanços, o professor Marco Polo Dias Freitas defende que esse fator não é decisivo para o aumento da expectativa de vida. “O aumento da longevidade mundial deve ser creditado, principalmente, à ampliação de serviços essenciais, como saneamento básico, habitação, nutrição, espaços urbanos e convívio social, assim como ao acesso e aos atendimentos mais humanizados na promoção da saúde”, avalia. Dados da OMS apontam, inclusive, que 80% das doenças desapareceriam com um meio ambiente mais adequado. Obviamente, os avanços são importantes, mas não devem ser apontados como grandes responsáveis pelo bem-estar da população, que deve se preparar – emocional e fisicamente – para tudo aquilo que é próprio do envelhecimento.
Isolamento social piora a qualidade de vida
Embora o sentimento de solidão possa afetar indivíduos de todas as idades, na velhice pode ser devastador e angustiante, principalmente porque costuma vir acompanhado de perdas de familiares e amigos, da falta de atividade em decorrência da aposentadoria, das mudanças extremas no corpo e, principalmente, da perda de autonomia, independência e liberdade de decisão. Não bastassem os fatores emocionais, a solidão pode causar sintomas físicos ao elevar o nível dos hormônios do estresse e das inflamações, causando efeitos no corpo comparáveis aos do uso de álcool e do tabagismo, além de aumentar o risco de doenças cardíacas, diabetes, demência e depressão. Por isso, encontrar maneiras de contornar o isolamento social é fundamental para uma vida longeva mais saudável, ativa e participativa.
Segundo a professora doutora Claudia Ajzen, psicóloga especialista em Gerontologia e coordenadora da Universidade Aberta para as Pessoas Idosas da Universidade Federal de São Paulo (UAPI-Unifesp), é preciso ter um olhar diferenciado para a sensação de estar só e para a definição de solidão. “Muitas vezes, o idoso mora sozinho, mas mantém uma vida social ativa, visita amigos, frequenta espaços de lazer e participa de atividades sociais. O risco é quando o estar sozinho é sinônimo de fuga, negação, isolamento permanente, desamparo e tristeza frequente”, enfatiza. O primeiro passo para restabelecer o sentido de viver, mesmo sem ter por perto familiares e amigos, é tentar reencontrar a essência e fazer as pazes consigo mesmo. O indivíduo precisa aceitar que tem idade, corpo, rotina e disposição diferentes da juventude, e entender o que as perdas físicas e emocionais representam em sua vida. Ao fazer essa reflexão, terá como identificar os motivos que o oprimem e aceitar que a mudança está em suas mãos, tornando-se capaz de estabelecer novos objetivos para que a vida tenha um novo sentido.
A psicóloga acentua que, quando essa condição é alcançada, especialmente com auxílio de psicoterapia, ocorrem inúmeros benefícios e o indivíduo passa a se enxergar como alguém que, apesar das mudanças ocorridas ao longo dos anos, aceita e reconhece que, para viver plenamente e com qualidade, é preciso estar saudável de corpo e mente. Manter uma vida social ativa, ter amigos por perto, compartilhar boas conversas, ir a festas ou viajar são atitudes que reforçam as relações positivas, mantêm a mente em funcionamento e reduzem o risco de declínio das funções cerebrais, pois essas atitudes favorecem a interação, a troca de experiências, o ganho de conhecimento, a promoção da sensação de bem-estar e, evidentemente, a ausência da solidão. O geriatra Marco Polo Dias Freitas acrescenta ser determinante que o indivíduo busque conforto naquilo que o satisfaz, com significado e propósito. “Inúmeros estudos apontam que a inclusão social faz com que o idoso tenha uma vida melhor por diminuir o estresse e criar novas perspectivas. Quando a pessoa passa a integrar grupos com interesses em comum encontra uma maneira de sentir-se incluída, participativa e feliz, o que traz inúmeros benefícios ao bem-estar e à qualidade de vida”, enfatiza.
Rede de Apoio
O vínculo familiar também é fundamental para a promoção da saúde. A médica Vilma Duarte Câmara reforça que manter laços com filhos, netos e outros parentes próximos é importante para o idoso, mesmo que more sozinho. “Ter uma rede de apoio não apenas para casos emergenciais é determinante, inclusive, para a autonomia”, destaca. A família precisa estar atenta e ajudar na busca por soluções profissionais sempre que o idoso se mostrar triste, sozinho ou desamparado, uma vez que o abandono familiar, principalmente quando o idoso está acometido por alguma enfermidade mais incapacitante, é um dos fatores que mais afetam esse grupo, resultando em depressão e outras doenças. Prática crescente pelo mundo, as moradias compartilhadas (cohousing) têm sido uma opção interessante para pessoas na terceira idade que desejam morar sozinhas, mas não querem estar sós. Nesse modelo, que já existe no Brasil, o idoso tem a liberdade de viver em sua própria casa e manter uma rotina de atividades, mas com o privilégio de ter por perto um grupo de apoio formado por outros moradores que desfrutam dos mesmos espaços de convivência, respeitando regras e compartilhando serviços coletivos como lavanderias e refeitórios, entre outros.
Doenças crônicas e degenerativas acompanham a passagem dos anos
Com métodos de prevenção para fatores de risco e desenvolvimento de novos medicamentos e tratamentos é possível controlar e combater as doenças relacionadas ao envelhecimento. No entanto, conforme o indivíduo vive mais, aumenta a possibilidade de apresentar algumas enfermidades, como as demências ou o câncer. O limite entre os males que a Medicina é capaz de superar e aqueles que ainda são um desafio para a ciência está na qualidade de vida que os tratamentos proporcionam, além do investimento em estudos, prevenção e mudança de hábitos. Envelhecer não é e nem deve ser visto como um processo de deterioração, mas como uma nova fase, que precisa ser vivida com seus limites e desafios e enfrentada com os cuidados que exige. Inevitavelmente, algumas doenças são mais prevalentes nesta fase, mas as formas de controlar e tratar tais enfermidades estão ao alcance da maioria dos idosos.
“As principais condições passíveis de prevenção em um ou mais níveis são as doenças infecciosas, cardiovasculares – sobretudo infarto e acidente vascular cerebral (AVC) –, câncer e doenças respiratórias, como a doença pulmonar obstrutiva crônica”, destaca o médico Carlos André Uehara. A imunização, o rastreamento, o acompanhamento médico e as mudanças de estilo de vida são, juntamente com os medicamentos, as principais intervenções que o geriatra deverá propor. Doenças como diabetes e hipertensão acabam surgindo nesta faixa etária, pois o organismo perde a capacidade de metabolizar certos elementos, entre os quais sódio, gordura e açúcar, com a devida intensidade. O geriatra orienta que, apesar de serem doenças crônicas, a hipertensão e o diabetes podem ser controlados por meio de medicamentos contínuos e com atitudes simples do dia a dia, como alimentação saudável, manutenção do peso ideal e prática regular de atividade física, que ajudam a melhorar a pressão arterial e o índice glicêmico.
Outro desafio é enfrentar as demências, especialmente a doença de Alzheimer. Segundo dados de 2017 da OMS, o número de indivíduos com demência chegou a 50 milhões no mundo e, com o aumento da expectativa de vida, estima-se que deve triplicar até 2050, atingindo 152 milhões de casos. Por ser crônica, progressiva, multifatorial e sem cura, a demência envolve declínio cognitivo e alterações comportamentais, comprometendo as atividades diárias. A piora do quadro clínico pode acarretar perda da autonomia e total dependência, evoluindo para complicações clínicas em função da imobilidade progressiva, disfagia e desnutrição. A diminuição das reservas fisiológicas que ocorrem com o passar dos anos e a consequente perda progressiva da capacidade de restauração do equilíbrio, aliadas a hábitos de vida não saudáveis – sedentarismo, má alimentação, fumo e bebidas alcoólicas – também aumentam as chances de neoplasias na velhice. “Com diagnóstico por vezes tardio, o tratamento de câncer em idosos é determinado por uma equipe multiprofissional em saúde que define qual a melhor estratégia protocolar, considerando diversos fatores como, por exemplo, as condições gerais de saúde e a presença de doenças crônicas. O que se propõe é oferecer um tratamento que otimize, dentro do possível, a melhor qualidade de vida”, descreve a geriatra Vilma Duarte Câmara.
Atividade física diminui impactos do tempo
O processo de envelhecimento também traz repercussões no sistema musculoesquelético, levando à diminuição da funcionalidade caso as alterações não sejam prevenidas e tratadas de forma precoce e adequada. Os declínios mais comuns estão associados ao desgaste das estruturas ósseas e articulares, ocasionando osteoartrose, artrose e osteoporose, caracterizadas por quadros álgicos e déficits funcionais. “Em casos mais graves, essas condições levam a fraturas, sobretudo dos ossos longos”, relata a fisioterapeuta Vitória Regina Quirino de Araújo, professora titular da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), uma das autoras do estudo ‘Consciência Corporal como Abordagem Terapêutica em Pessoas Idosas’, realizado entre 2010 e 2018 pelo Projeto de Extensão do Departamento de Fisioterapia da UEPB. O trabalho descreve que a percepção das dimensões corporais, a partir dos 60 anos, está relacionada com a integridade do sistema nervoso e do esquema corporal, caracterizando-se por uma interação neuromotora que permite perceber o próprio corpo no espaço e desenvolver as ações de forma adequada.
A prática regular de atividade física ao longo da vida é uma das formas mais efetivas de prevenção dos impactos ocasionados pelo envelhecimento. Independentemente da idade de início ou do tipo de atividade, os benefícios são observados no aspecto físico, emocional e social. Como a natureza do corpo humano é compatível com o movimento, o gestual, a exploração das habilidades corporais e a prática de atividades conscientes e regulares vão sendo ampliadas. O resgate da memória do movimento, mesmo na maturidade, traz impactos em um curto período, prevenindo o avanço dos transtornos ocasionados pelo sedentarismo ou a inatividade e reduzindo o número de quedas, atendimentos e internações.
A atividade física também previne uma série de doenças, é aliada no tratamento de outras enfermidades já estabelecidas e oferece inúmeros benefícios para a pessoa idosa. “Manter o corpo em movimento ativa a circulação, melhora o fortalecimento muscular, a disposição, mobilidade e coordenação, o equilíbrio e a qualidade do sono, além de diminuir a ansiedade e o estresse, preservar ossos e articulações, controlar o peso e a pressão arterial, melhorar os quadros de dor e promover a independência e autonomia”, assegura o professor doutor Tiago da Silva Alexandre, docente do curso de Gerontologia e coordenador multicampi de programas de pós-graduação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Ao refletir na qualidade de vida e no envelhecimento ativo, também ocorrem ganhos psicológicos, uma vez que a atividade amplia o contato social, influenciando positivamente na autoestima.
O repertório de movimentos pode e deve ser adaptado às várias condições do indivíduo e, mesmo nas situações de fragilidade ou em quadros de funcionalidade restrita do idoso, as técnicas que estimulam funções e movimentos são adotadas com segurança por profissionais de Fisioterapia, Terapia Ocupacional e Educação Física como medidas preventivas e terapêuticas, com benefícios amplamente validados cientificamente.
“A escolha da atividade dependerá do grau de identificação e da capacidade funcional do idoso, com respostas do corpo proporcionais aos estímulos”, ensina a fisioterapeuta Vitória Regina Quirino de Araújo. Alinhada com a Política Nacional da Saúde do Idoso, os programas terapêuticos da Fisioterapia Gerontológica estabelecem condutas a serem adotadas como rotina, e os procedimentos são voltados à prevenção do agravamento dos quadros de doenças crônicas associados a dor, disfunções, tratamento ou reabilitação. Com foco no máximo de funcionalidade para a manutenção da autonomia e independência da pessoa idosa, podem ser usados instrumentos de avaliação que mensuram níveis de dependência nas atividades básicas da vida diária. Desta forma, as reavaliações e os ajustes proporcionarão o alcance dos objetivos terapêuticos necessários para um envelhecimento ativo.
O perigo das quedas
Embora não seja uma consequência inevitável do envelhecimento, o risco de quedas pode sinalizar o início do enfraquecimento muscular ou indicar enfermidades que comprometam a mobilidade. Além dos problemas médicos, as quedas acarretam custo social, econômico e psicológico, aumentando a dependência e a institucionalização do idoso. Estima-se que cerca de 30% das pessoas com mais de 65 anos e 50% daqueles que passaram dos 80 sofram pelo menos uma queda anualmente, que pode ocasionar de uma simples fratura à redução da capacidade funcional e mobilidade, internação, isolamento social, insegurança, medo, depressão e, em casos mais graves, a morte. Aspectos relacionados ao envelhecimento, como diminuição da visão, fraqueza muscular, doenças que afetam o sistema motor e sequelas físicas relacionadas ao acidente vascular cerebral estão entre os principais fatores de risco. Para o professor Tiago da Silva Alexandre, alguns cuidados podem evitar quedas. “Medidas simples deixam a casa e a vida do idoso mais seguras, como eliminar tapetes, instalar suportes e acessórios de segurança pela casa, usar sapatos com sola antiderrapante, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e tomar os medicamentos de uso contínuo sempre no horário correto”, enumera. Para os idosos que já tiveram quedas ou se enquadrem nos fatores de risco, o geriatra poderá avaliar as condições clínicas, analisar ajustes nas medicações e indicar medidas preventivas.
Sexualidade deve ser exercida sem preconceitos
Na última década, as doenças sexualmente transmissíveis têm afetado a saúde dos idosos. Dados do Ministério da Saúde indicam aumento de 81% no número de casos de HIV entre indivíduos acima dos 60 anos entre 2006 e 2017, com taxas crescentes para homens e mulheres. Isso decorre principalmente pela falta de hábito de uso de preservativos e outros métodos de proteção, e os profissionais da saúde desempenham papel fundamental no enfrentamento desses agravos. “É importante que os profissionais da área da saúde estejam capacitados para abordar essa temática com os idosos, além de orientar para o autocuidado e auxiliar sobre todas as dúvidas relacionadas ao tema”, ressalta o professor Tiago da Silva Alexandre. Com o passar dos anos, as mudanças no corpo podem intervir no aspecto sexual, social e psicológico, mas é preciso entender as transformações que fazem parte do processo de envelhecimento, como a diminuição natural na resposta aos estímulos sexuais.
A psicóloga Claudia Ajzen afirma que é importante compreender que a sexualidade não se resume ao ato sexual, mas a uma diversidade de comportamentos que trazem bem-estar. Portanto, é plenamente possível que a pessoa idosa, independentemente de sua condição física, vivencie a sexualidade como uma importante dimensão da vida. Ao aprender que a vivência da sexualidade entre idosos faz parte da saúde e do bem-estar é possível repensar novas abordagens para derrubar estereótipos preconceituosos e irreais de que o envelhecimento torna as pessoas assexuadas. “Mesmo que a prática sexual, assim como várias outras atividades, se torne menos valorizada com a idade, isso não indica que este seja o fim do desejo sexual. Pelo contrário. A sexualidade humana não é exclusiva dos mais jovens e deve ser vista como orgânica, saudável e necessária para satisfazer o desejo, o bem-estar e a plenitude do viver”, reforça. O primeiro passo para derrubar esse tabu é colocar em pauta essa questão nos consultórios médicos e nos grupos de convivência, entre outros espaços de discussão, tratando o tema como algo natural.