A longevidade depende da felicidade
O termo ‘Blue Zones’ foi criado na década de 1970 por pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que estavam estudando as localidades com mais longevos no mundo. Na época, as ‘Blue Zones’ eram Okinawa (Japão), Sardenha (Itália), Nicoya (Costa Rica), Icaria (Grécia) e Loma Linda (Califórnia, Estados Unidos). Embora o nome tenha surgido por puro acaso depois que um dos pesquisadores marcou as localidades em um mapa de papel com tinta azul, o conceito antropológico internacional que caracteriza o estilo de vida de indivíduos residentes em algumas regiões do mundo, onde as expectativas de vida eram as mais longas na época, se consolidou. Nessas regiões, pelos critérios dos pesquisadores, os idosos também tinham de ser saudáveis e felizes. No Brasil, uma localidade com cerca de 30 mil habitantes poderá entrar para este seleto grupo. O Projeto Veranópolis, coordenado pelo professor doutor Emílio Moriguchi, idealizador da Unidade de Geriatria do Serviço de Medicina Interna do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e coordenador geral do Projeto Veranópolis Estudos em Envelhecimento, Longevidade e Qualidade de Vida, começou há mais de 28 anos (desde 1994) e é o estudo longitudinal de envelhecimento mais longo do Brasil em seguimento ininterrupto. A pequena cidade localizada na serra gaúcha mantém a mesma característica da década de 1990, quando os estudos começaram, o que faz dela uma forte candidata a se tornar uma ‘Blue Zone’.
Como surgiu o conceito de Blue Zones?
Na década de 1970, teve início o conceito de Medicina Baseada em Evidências e, com isso, começaram a ser ‘exigidas’ as evidências sobre o envelhecimento saudável. Na Universidade de Harvard, que continua sendo referência nesta área, um grupo de pesquisadores já estava em busca das verdadeiras evidências sobre longevidade com saúde e envelhecimento saudável. Esse grupo, juntamente com outros pesquisadores, incluindo meu ex-chefe e mentor – o professor William Hazzard, um dos maiores geriatras nos Estados Unidos, editor-chefe do Textbook of Geriatrics Medicine, um dos livros-texto referência em Geriatria – pesquisou evidências epidemiológicas no mundo e quais eram as áreas nas quais as pessoas envelheciam plenamente, não só numericamente, mas com qualidade de vida e felicidade. Localizaram cinco localidades no mundo: Okinawa (Japão), Sardenha (Itália), Nicoya (Costa Rica), Icaria (Grécia) e Loma Linda (Califórnia, Estados Unidos) e, como tudo que acontece na Harvard, caiu logo no ouvido da mídia. Quando iam começar os estudos epidemiológicos, um repórter de um jornal de Boston foi à universidade para entender o tema. Como estava com um mapa, pediu para indicarem onde eram os locais dos estudos e um dos pesquisadores pegou um marca-texto azul e marcou as cinco áreas com um círculo. É por isso que as áreas de envelhecimento com longevidade saudável no mundo passaram a ser conhecidas como ‘Blue Zones’. O nome parece anedótico, mas surgiu exatamente assim.
Como os pesquisadores chegaram a essas cinco regiões?
Para esse estudo, os pesquisadores coletaram as evidências de longevidade com qualidade de vida nessas localidades, e fizeram levantamentos com questionários padronizados e pesquisa de marcadores biológicos na população. Outro grupo de pesquisadores da Harvard tinha começado um estudo sobre envelhecimento em 1938, em Boston (Harvard Study of Adult Development), mas os novos cientistas queriam fazer esse estudo em outros países para terem mais evidências em outras populações. As pesquisas epidemiológicas demoram muito e o que vale é seguir o mesmo grupo por vários anos. Para se ter ideia, o pessoal da Harvard começou a pesquisar a população nessas cinco áreas ‘Blue Zones’ no fim da década de 1970 e os primeiros resultados saíram depois de quase 20 anos. O estudo longitudinal na cidade de Boston foi apresentado ao público 75 anos depois de ter sido começado.
O que as áreas tinham de diferente?
O primeiro critério que buscaram foi a expectativa média de vida. O segundo critério era um questionário de qualidade de vida da Organização Mundial da Saúde (OMS), que usamos até hoje, porque tinha de ser validado em diversos países. Em resumo, os idosos tinham de ser saudáveis, mas também felizes, com qualidade de vida. Com esses dois critérios principais avaliados pelo questionário da OMS, eles escolheram essas cinco áreas. Foram dois critérios bem objetivos.
Veranópolis já pode ser considerada uma ‘Blue Zone’?
Isso é um processo em andamento. Estamos sendo sondados atualmente por um comitê de pesquisa desse grupo que sabe do nosso estudo. Começamos em 1994 e outros estudos vieram depois, mas o nosso é o mais longo e tem o mesmo critério do estudo que começou com as ‘Blue Zones’. Na década de 1990, os dados do IBGE mostravam que Veranópolis era o município mais longevo do Brasil – 77 anos, bem próximo de Japão e Sardenha, onde os idosos beiravam os 80 anos. A pontuação mínima requerida para preencher os critérios de ‘Blue Zones’ na escala de qualidade de vida da OMS foi atingida nos idosos acima de 80 anos de Veranópolis e começamos o estudo. Na época, a população era de aproximadamente 30 mil habitantes e esse número se mantém bem próximo até hoje.
Todas as ‘Blue Zones’ são pequenas cidades. Esse é um dos fatores que interferem na qualidade de vida?
Sim, é extremamente importante. E essa descoberta de que a localidade pequena interfere na longevidade com qualidade de vida levou anos para ser identificado – os pesquisadores das ‘Blue Zones’ publicaram sobre isso há menos de 10 anos e os dados foram apresentados em congresso. Inclusive, a psicóloga canadense Susan Pinker, que participa do projeto ‘Blue Zones’, publicou um livro chamado The Village Effect baseado nesses dados e que aborda a importância da interação entre pessoas de uma forma longeva, desde a juventude até idades mais avançadas. Lugares pequenos permitem essa interação e esse relacionamento interpessoal de uma forma bem próxima, com os moradores vivendo valores semelhantes e sabendo que podem contar uns com os outros quando precisarem. Hoje, os cientistas consideram que o maior fator determinante da longevidade são os bons relacionamentos, as boas companhias, muito mais que os fatores tradicionais de dieta e atividade física somente. Também há muitos dados em relação à questão da espiritualidade e longevidade.
Como se resume o ‘efeito vila’?
O ‘efeito vila’ que a Susan Pinker trata no livro se resume em relacionamentos longos, confiança e a certeza de a pessoa saber que pode contar com as outras quando precisar. Essa tranquilidade de ter alguém que gosta da gente, não necessariamente familiar – pode ser vizinho, amigo –, esse sentimento de segurança, de porto seguro, é considerado o maior determinante na longevidade atualmente.
O segredo da longevidade deixou de ser dieta saudável e atividade física?
Dieta, atividade física e lazer, além de repouso adequado de sete a oito horas de sono por noite, continuam sendo importantes, mas, em termos de impacto, os relacionamentos têm realmente mais peso para uma vida longa e saudável. A OMS já tinha preconizado que a saúde social e a saúde espiritual eram importantes para uma vida mais longa, mas esses dois fatores nunca tinham sido muito abordados. O pessoal da Harvard, que é o maior centro de pesquisa sobre psicologia positiva do mundo, trabalha nisso porque acredita nesses valores há mais tempo. Os pesquisadores conseguiram, por meio dos questionários, mostrar que a saúde social e espiritual – social no sentido de relacionamentos e espiritual no sentido dos valores que as pessoas têm dentro de si e trocam com os outros – eram dois componentes fundamentais. Claro que todos esses indivíduos também têm alimentação saudável, atividade física, repouso e lazer muito semelhantes, mas, o que realmente faz com que as pessoas vivam mais nesses lugares são os bons relacionamentos e os valores que possuem em comum.
Ser feliz e manter bons relacionamentos ajuda na longevidade mesmo que o idoso tenha doenças crônicas?
Inevitavelmente, muitos de nós vamos adquirindo doenças como pressão alta e colesterol alto ao longo da vida que, muitas vezes, podem levar a um infarto ou AVC. Mas, hoje em dia, a maioria das pessoas que tem infarto ou AVC sobrevive, e o importante é saber conviver com as doenças relacionadas ao envelhecimento. O conceito de saúde não é a ausência de doença, mas o bem-estar físico, mental e espiritual e a felicidade. Assim, mesmo que tenhamos doenças com a idade, poderemos manejar e saber viver bem, por isso o lado espiritual também é importante, pois todo o estado de saúde depende muito da nossa cabeça. Se estamos deprimidos, a imunidade cai e ficamos suscetíveis ao ataque de vírus e bactérias. E isso é sabido até pelos leigos. A questão é termos saúde mental suficiente para vencermos as dificuldades da vida e, nessas horas, poder contar com alguém para falar dos nossos problemas. Garanto que é melhor do que antidepressivo.
Vale a pena viver muito e não ser feliz?
Eu, pessoalmente, acho muito importante a palavra felicidade. Muitas vezes, pergunto aos meus residentes de Geriatria o que estamos fazendo ao atendermos os nossos pacientes: se estamos aumentando o tempo de vida feliz ou aumentando o tempo de sofrimento deles. E, muitas vezes, é difícil responder. Se estivermos aumentando o tempo de sofrimento dos idosos, temos de repensar sobre isso. Felicidade é a palavra-chave que surge junto com longevidade, porque longevidade feliz é um paradigma que começou a surgir dessas ‘Blue Zones’ e é o ponto de partida.
O mundo anda com alguns valores meio distorcidos. Se a humanidade seguir nessa linha, a longevidade poderá ser conquistada apenas pelo avanço da tecnologia e pode não ter como reflexo a felicidade?
Concordo 100%! Acho que o progresso e a ciência ajudaram muito a Medicina, mas, por outro lado, a tecnologia da informação tem de ser muito bem repensada. No Japão já está acontecendo isso e já há dados que mostram que o ‘tempo de tela’ comparado com o ‘tempo face-a-face’ tem relação inversa com a saúde na população mais jovem. Aqueles que ficam mais tempo nas telas do que conversando entre colegas ficam mais doentes em comparação aos que têm menos tempo de tela. No livro, Susan Pinker relata que, mesmo nas ‘Blue Zones’, os jovens que têm mais tempo de tela, comparados com aqueles que ficam mais tempo conversando com os idosos, são mais depressivos e têm mais doenças. A partir dos achados do Projeto ‘Blue Zones’ na Sardenha surgiu um outro estudo muito interessante chamado Four Generation Study, mostrando que as famílias que moravam em mais de quatro gerações juntas eram mais longevas do que as que moravam com menos gerações. A partir disso foi feito outro estudo tentando ver qual era a diferença das famílias que tinham quatro gerações morando juntas comparadas com as nucleares, todas com genéticas semelhantes por serem da mesma região. Descobriram que a diferença não era o colesterol ou a pressão arterial, mas o comprimento dos telômeros – sequências repetitivas que existem nas extremidades de todos os cromossomos humanos e cujo encurtamento está relacionado ao ciclo de vida da célula. Na medida em que as células se dividem para se multiplicar e para regenerar os tecidos e órgãos do corpo, o comprimento dos telômeros vai se reduzindo e, por isso, com o passar do tempo vão ficando mais curtos. E o encurtamento do telômero é um índice de envelhecimento em relação aos leucócitos. Estudando leucócitos dessas famílias descobriram que, naquelas que moravam com mais de quatro gerações juntas, comparadas com as nucleares, ao longo do tempo o encurtamento dos telômeros era mais lento, ou seja, as células envelheciam menos. Em Veranópolis também temos famílias com mais de quatro gerações e participamos do estudo com amostras de pessoas dessas famílias comparando com aquelas que moravam com uma geração. No Brasil, o consórcio Four Generation Study também constatou que o encurtamento dos telômeros dos leucócitos é mais lento nas famílias que moram juntas desde jovens, e encurtam mais lentamente comparados aos indivíduos que moram sozinhos.
Veranópolis continua sendo pequena e com as mesmas características?
Veranópolis continua sendo modelo de envelhecimento saudável e qualidade de vida na longevidade, e os idosos continuam muito saudáveis e felizes, tendo os grupos de convivência e as ‘capelas’ – as comunidades locais também são chamadas assim por ser muito católicas. Tanto que recebemos recentemente o reconhecimento da OMS de ‘Terra da Longevidade’. A OMS tem um critério para classificar uma ‘Cidade Amiga do Idoso’ e faz um levantamento com a população com vários questionários, e conseguimos provar que os idosos de Veranópolis mantêm a qualidade de vida. A cidade também continua sendo exemplo do valor e respeito que os jovens dão para os idosos, outro critério que a OMS avalia, e é um dos poucos lugares onde ainda ouço os jovens chamarem os idosos de ‘senhor’ e ‘senhora’.
Em que estágio estão os seus estudos?
Desde que começamos, pesquisamos os idosos e o que era importante para chegar naquela idade, mas, assim como a Harvard fez, também passamos a seguir os jovens e as crianças a partir de 10 anos de idade para saber como estavam envelhecendo e o que era importante para envelhecer e ser feliz. Hoje, temos um estudo bem interessante, porque aquelas crianças de 1994 têm mais de 30 anos e vemos que alguns fatores da infância e adolescência impactaram. Por exemplo, os que tinham hábitos de vida ruins, obesidade ou pressão um pouco alta naquela época, com 30 e poucos anos já apresentam alto risco de infarto ou têm problemas de saúde. Nos questionários de relacionamento que mostram com quem vivem e como se sentem, vemos que as crianças e os adolescentes que se davam bem com a família são os adultos mais saudáveis atualmente, enquanto aqueles que não se davam bem e se isolavam ou que foram para outra cidade são menos saudáveis. Nossas descobertas com 28 anos de estudos são muito semelhantes ao que o estudo de Boston mostrou em 75 anos de seguimento, que é exatamente essa questão de relacionamento e da convivência com várias gerações juntas.
Como ter uma velhice mais saudável vivendo em grandes cidades?
Primeiro, deve-se cultivar bons relacionamentos, conversar em família, ter tempo para encontrar com os amigos, fazer o que gosta e o que traz prazer, e ficar o maior tempo possível longe das telas. A segunda questão é a espiritualidade, que acho fundamental. No Japão, a palavra Ikigai significa ‘o sentido da vida’ ou ‘sua razão de viver’, e aprende-se desde a escola sobre isso. Quando entrei no jardim de infância, me perguntaram o que queria ser quando crescesse. Parece uma pergunta ingênua, mas tem tudo a ver com Ikigai, porque vamos começar a pensar o que queremos ser, qual o nosso objetivo, qual o nosso propósito de vida e, na escola primária, isso fica mais forte porque as pessoas começam a nos incitar a pensar no que queremos ser e fazer. Esse sentido de vida que é algo mais espiritual, mais interior, cada um cultiva o seu. Não precisa ter religião, mas uma fé, algum valor. Tenho um hábito que aprendi no Japão: de manhã, quando acordo, primeiro agradeço e depois penso no que vou fazer naquele dia. Isso nada mais é do que o propósito do dia. E todos podem fazer, independentemente de viver em uma megalópole ou uma vila. Garanto que o que vai nos fazer longevos e saudáveis é a nossa forma de pensar e de interagir com os outros. Não dá para mudar o jeito de a cidade ser, mas podemos mudar o jeito de sermos na cidade grande.
A microbiota intestinal também contribui para a longevidade?
Sem dúvida! Antes de o pessoal falar de microbiota, o Japão já era muito famoso em consumir alimentos fermentados, e o Yakult é um deles. Há mais de 30 anos, o Japão já tinha muitos artigos mostrando que indivíduos que ingeriam alimentos fermentados tinham uma saúde melhor. Quando crianças, em Tóquio, eu e meus irmãos tomávamos Yakult e continuo tomando todos os dias. Tem estudos no Japão comparando a saúde das pessoas que tomavam Yakult desde a infância com aquelas que não tomavam, e as primeiras têm menos câncer e menos doenças cardiovasculares, o que está relacionado com os alimentos fermentados. Hoje também está muito claro que, quanto mais interativo com a natureza o ser humano está, melhor – porque temos uma microbiota intestinal que literalmente comanda a nossa saúde. O que absorvemos não é só o que digerimos, mas a interação do que digerimos com os trilhões de habitantes da microbiota intestinal. Existem milhares de artigos explicando sobre eixo intestino-cérebro, intestino-coração, intestino-rim e outros, e tudo está relacionado com alimentação e microbiota intestinal. Estou bem convencido de que muitas pessoas não têm a saúde que poderiam ter pela má alimentação e porque a microbiota intestinal não é saudável. Toda essa cultura de alimentos mais naturais se traduz em uma microbiota mais saudável e tem relação com a longevidade, inclusive em termos de saúde mental e de felicidade.
O senhor sempre se interessou pelo tema longevidade?
Sou filho do médico Yukio Moriguchi, fundador da Geriatria moderna preventiva no Brasil e criador da primeira disciplina de Geriatria nas escolas médicas brasileiras, na Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), e sempre acompanhei palestras e discussões sobre envelhecimento e saúde. Quando comecei a atuar como médico nessa área, na década de 1980, meu doutorado foi sobre colesterol porque achávamos que colesterol era um dos fatores mais importantes para ter longevidade, com base em uma dieta saudável. Tenho de reconhecer que isso foi importante, mas, hoje, dieta saudável, atividade física e descanso já viraram padrão para muitos indivíduos. Portanto, o que vai diferenciar as pessoas que viverão mais e melhor são os bons relacionamentos. Vimos o quanto isso é importante na pandemia. Foram três anos de pouco contato, e o Japão, os Estados Unidos e a Itália diminuíram a expectativa de vida por outras doenças – já corrigido pela mortalidade da Covid-19 – e, provavelmente a doença que mais matou os idosos foi a solidão. Isso também é algo que o pessoal da Harvard descobriu, porque os pesquisadores já tinham descrito que o isolamento e a solidão matavam mais cedo. Como médico, posso testemunhar isso, porque atendo muitos idosos que recebiam seus netos e bisnetos em casa toda semana e passaram a não receber e, com isso, muitos ficaram deprimidos, doentes, começaram a ficar estressados, diminuindo a qualidade de vida e a longevidade. Por esses motivos, o foco das pesquisas de longevidade é o bom relacionamento com as pessoas e os valores que carregamos. Porque não somos sozinhos; somos seres sociais em uma colônia de seres que precisam viver juntos e precisamos ter amigos.
A busca da felicidade é fundamental?
Sim! E sempre com alguém, porque ninguém fica feliz sozinho. Quando vou para Tóquio, uma cidade enorme, me sinto tão bem quanto se estivesse em Veranópolis ou Porto Alegre, porque tenho amigos, dou aulas e falo com os jovens. Voluntariado é outra ação que traz alegria. Todos os anos, alguns estudantes de Medicina do Japão, nas férias de verão, vêm me ajudar na caravana médica voluntária que realizo anualmente pelo interior do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, em um ônibus ambulatório, para atender colônias agrícolas onde não há médicos. Visitamos lugares humildes, e esses alunos voltam transformados após o contato com os agricultores. Isso é relacionamento humano! Muitos deles, já atuando como médicos, perguntam se podem fazer a caravana voluntária de novo porque sentem que ‘se perderam’ no caminho da Medicina e querem lembrar o que era ser médico de verdade. Medicina é relacionamento humano, importar-se com as pessoas, querer ajudar o próximo, e isso é fundamental para viver e envelhecer bem. A frase-chave relacionada com a felicidade é ‘com quem posso contar se precisar de alguma coisa?’ Sempre somos mais felizes em grupo e quando temos companhia do nosso lado quando mais precisamos.