O eixo cérebro-intestino na depressão
Cientistas querem entender se o eixo cérebro-intestino-microbiota pode influenciar no aparecimento e no agravamento da doença
A depressão é o transtorno mental mais comum e uma das principais causas de incapacidade no mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que mais de 300 milhões de pessoas sofram de depressão no planeta e que, em 20 anos, a doença deverá se tornar a mais comum em nível global. A entidade também calcula que aproximadamente 5,8% da população brasileira é portadora da enfermidade, o que significa um total de 11,5 milhões de indivíduos. De acordo com o Ministério da Saúde, a prevalência de depressão ao longo da vida no Brasil está em torno de 15,5% da população.
Instituído em 2019, o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Depressão tem como finalidade alertar para os riscos relativos ao problema que, além de diminuir a qualidade de vida, é um dos motivos dos altos índices de suicídio. Aproximadamente 800 mil pessoas acabam com a própria vida a cada ano no mundo, e o suicídio já é a segunda causa de morte entre indivíduos de 15 a 29 anos de idade. A doença aparece, em geral, no final da terceira década da vida, e estudos mostram prevalência em até 20% nas mulheres e 12% nos homens.
Embora já exista um grande número de pesquisas sobre a doença, os mecanismos precisos da fisiopatologia da depressão permanecem indefinidos. A enfermidade tem característica multifatorial e pode ser causada pela genética, com estimativa de 40% na suscetibilidade; devido à deficiência na bioquímica cerebral, com destaque para a ação de neurotransmissores como noradrenalina, serotonina e dopamina; e em razão de eventos estressantes que podem desencadear episódios depressivos em indivíduos com predisposição genética.
Nos últimos anos, a ciência também descobriu uma correlação importante no eixo cérebro-intestino-microbiota para o desencadeamento de transtornos neuropsiquiátricos como a depressão, com destaque para a ação de algumas espécies de microrganismos que compõem a microbiota intestinal.
Um dos estudos, desenvolvido por pesquisadores dos Estados Unidos e da Irlanda, mostrou como as alterações nesse eixo podem ser determinantes na fisiopatologia de diversas doenças, com destaque para a importante função dos neurotransmissores, em especial a serotonina. Em outra pesquisa, cientistas sugerem que alterações na composição da microbiota intestinal e na função metabólica podem ser relevantes, inclusive, para a resposta do organismo aos antidepressivos, fornecendo informações sobre os mecanismos responsáveis pela eficácia desses medicamentos.
Em um artigo de revisão, pesquisadores japoneses e chineses analisaram o acúmulo de evidências de estudos pré-clínicos e clínicos sugerindo que as alterações na microbiota intestinal, nos ácidos graxos de cadeia curta e nos metabólitos derivados de microrganismos intestinais desempenham um papel fundamental na fisiopatologia da depressão através do eixo cérebro-intestino-microbiota, incluindo os sistemas neurais e imunológicos. No artigo, os cientistas revisaram as descobertas recentes sobre o eixo cérebro-intestino-microbiota na depressão e discutiram o potencial desse eixo como alvo terapêutico para tratar a doença.
Probióticos
Um dos caminhos avaliados pelos cientistas para ajudar no tratamento da depressão envolve a ingestão de cepas probióticas específicas. Nesse sentido, pesquisadores chineses desenvolveram um estudo clínico com participantes de 18 a 60 anos com depressão que ingeriram uma bebida com o probiótico L. casei Shirota – presente nos leites fermentados da Yakult – diariamente, por nove semanas. Ao final do experimento, os cientistas concluíram que a ingestão do probiótico melhorou significativamente a constipação (comum na enfermidade) e os sintomas depressivos. Além disso, a intervenção com o probiótico aumentou os níveis de bactérias intestinais benéficas e diminuiu as bactérias relacionadas à doença mental, sugerindo que esse tipo de probiótico poderia contribuir para melhorar os sintomas comuns em indivíduos com depressão.
Mais informações
O Leite Fermentado Yakult completa 87 anos em 2022 e continua sendo o carro-chefe da empresa sediada em Tóquio, no Japão. Desde que o médico Minoru Shirota criou o leite fermentado com o exclusivo probiótico Lactobacillus casei Shirota, em 1935, e fundou a Yakult Honsha, em 1955, a empresa sempre teve grande preocupação em desenvolver alimentos que beneficiem a saúde das pessoas. Por isso, mantém o Instituto Central Yakult, em Kunitachi, Tóquio, que realiza inúmeros estudos relacionados ao intestino humano. Nos 40 países e regiões em que está presente, a Yakult possui aproximadamente 80 mil comerciantes autônomas (conhecidas como Yakult Ladies) – 32,7 mil no Japão e 47,5 mil em 12 outros países, incluindo o Brasil – que levam os produtos de porta a porta para milhões de consumidores, mesmo nos locais mais distantes. No mundo, mais de 40 milhões de pessoas consomem Leite Fermentado Yakult com Lactobacillus casei Shirota diariamente (resultado de 2020). Para outras informações, basta acessar o site www.yakult.com.br ou as redes sociais da empresa: Facebook/yakultbrasiloficial e Instagram@yakultbrasil.