Sonhos ajudam a identificar sofrimento mental 

Há mais de 10 anos, um grupo de pesquisadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) estuda estratégias em processamento de linguagem natural (algoritmos computacionais) que extraem informação de relatos de pacientes com esquizofrenia e indivíduos sem adoecimento ou sofrimento mental – e um desses relatos é sobre os sonhos. Em 2020, os pesquisadores utilizaram essa mesma metodologia para desvendar a semântica dos sonhos de voluntários saudáveis durante a pandemia de Covid-19. Principal autora do estudo ‘Dreaming during the Covid-19 pandemic: computational assessment of dream reports reveals mental suffering related to fear of contagion’, publicado na revista PLOS ONE – um dos primeiros estudos publicados na literatura internacional sobre os sonhos na pandemia de Covid-19 – a neurocientista Natália Bezerra Mota explica que os sonhos se tornaram mais emocionais em março e abril de 2020, com mais relatos de tristeza e raiva. A pesquisadora, que continua seus estudos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), representa o Brasil em um grupo de pesquisa internacional que estuda a esquizofrenia com objetivo de explorar a viabilidade desse tipo de relato para fins diagnósticos. O grupo já tem um protocolo comum e uma das perguntas é: ‘Me conta um sonho’.

De que maneira os sonhos ajudam a identificar o sofrimento mental?

Existem três teorias importantes sobre a função dos sonhos, e uma delas indica o sonhar como um regulador das emoções, uma maneira de compreendermos nossas memórias traumáticas – como se fosse uma ‘digestão’ de memórias com muita carga emocional. Essa teoria é do professor Tore Nielsen e traz a ideia de que, a partir dos sonhos, conseguimos reter aprendizados e diminuir a intensidade da emoção que está associada a essa memória. Se o indivíduo passa por um assalto, por exemplo, é importante que se lembre de quais eram as circunstâncias daquela situação. Mas, se toda vez que se lembrar dessa informação sentir de novo toda a descarga adrenérgica do estresse e do trauma, isso fará com que permaneça cronicamente com esse trauma – o chamado transtorno de estresse pós-traumático. Por essa teoria, o estresse pós-traumático seria uma falha nesse sistema de regulação emocional, e um dos critérios diagnósticos para esse transtorno é justamente ter pesadelos recorrentes. Já nas teorias do professor Antti Revonsuo, que são bastante influentes, o sonho seria como um simulador. Primeiro, de ameaças prováveis, ou seja, sonharíamos para treinar ações que seriam mais rápidas em um futuro provável e esse treino seria muito focado em situações de ameaça à nossa integridade física. Outra teoria desse pesquisador é que o sonho seria um simulador de habilidades sociais para treinarmos aquilo que é a grande fortaleza da humanidade: a capacidade social. Assim, durante os sonhos treinaríamos essas habilidades para melhorar as relações sociais. 

Como foi o primeiro estudo do grupo do qual a senhora participa?

Faz 10 anos da primeira publicação de uma linha de pesquisa que desenvolvemos com uma das primeiras estratégias em processamento de linguagem natural, que são algoritmos computacionais que extraem informação a partir da fala ou de textos, com supervisão dos pesquisadores Sidarta Ribeiro, da UFRN, e Mauro Copelli, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que integram o Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática (NeuroMat), sediado na Universidade de São Paulo (USP). Iniciamos coletando relatos de pacientes com esquizofrenia ou sem adoecimento ou sofrimento mental, e um dos relatos era sobre sonhos. Percebemos que, quando representamos esses relatos de determinada forma e em uma trajetória de palavras, conseguimos distinguir os grupos, porque isso está no coração da descrição da patologia. Boa parte do trabalho do psiquiatra é capturar pela escuta essa desorganização mental que se expressa pela fala dos pacientes, que também é bem desorganizada. Uma das inovações que pretendíamos para 2019 era fazer um estudo com essa aplicação de maneira remota como possibilidade de ter, em saúde pública, mais um recurso para diminuir a distância entre profissionais de saúde mental e essa população. 

Em qual momento a pandemia virou foco dos estudos? 

Em fevereiro de 2020, atentos ao que estava acontecendo na Europa, imaginamos que a análise dos sonhos poderia ser importante em uma pandemia. Assim que houve o anúncio pela Organização Mundial da Saúde (OMS), começamos a acompanhar os sonhos dos voluntários de maneira remota. Pensando nas três teorias, a situação da Covid era imperativa de que veríamos alguma modificação nessa experiência onírica. Ao entrar em uma pandemia mundial, com ameaças para todos e regras de isolamento social necessárias, há um impacto em todas as relações sociais e de trabalho. Assim, voltamos a olhar para os relatos de voluntários saudáveis (controles) que tinham testado um aplicativo desenvolvido na UFRN, de setembro a novembro de 2019, e pedimos para irem acompanhando os seus sonhos durante o primeiro mês das medidas de isolamento social no Brasil. Colhemos mais de 200 relatos e fizemos as principais análises só com aqueles que nunca tinham experimentado qualquer tipo de sofrimento mental ou precisado de ajuda nesse sentido.

E qual foi o resultado mais surpreendente desse estudo?

Percebemos que, já no primeiro mês, vários voluntários estavam começando a sentir o impacto afetivo do que estava acontecendo. No fim do seguimento, aplicamos entrevistas para medir a intensidade e a severidade desses sintomas, verificar se algumas pessoas estavam tendo sofrimento mental e como tinha sido a experiência de olhar para os sonhos. Fizemos a análise em três níveis: fomos no relato e, por meio de análise computacional, vimos se a estrutura da narrativa tinha mudado. Esperávamos que não mudasse e verificamos que realmente não havia mudança em comparação com o período pré-Covid neste caso, mas haviam mudanças em outros dois tipos de análises.

Quais foram essas mudanças?

Primeiro, na análise emocional desses relatos. Como prevíamos e baseado na teoria de regulação emocional, os sonhos se tornaram mais emocionais e o que cresceu foram as proporções de palavras ligadas a emoções negativas, principalmente raiva e tristeza, que aumentaram muito nos relatos durante o período de acompanhamento. Também verificamos a ligação e a similaridade desses relatos com temas ligados à pandemia. Aplicamos alguns descritores que eram relacionados aos desfechos, como vida e morte, saúde e doença, mas também aquilo que muda no dia a dia, que era contaminação e limpeza. Percebemos que, no primeiro mês, o que apareceu nos sonhos foi uma similaridade maior com contaminação e limpeza. Era como se as pessoas começassem a pensar mais sobre estratégias que tornassem o ambiente asséptico ou que impactasse nessas relações. Um sonho que apareceu com muita recorrência foi aquele que reflete a sensação de ansiedade social e medo de exposição social – em que geralmente o indivíduo se percebe nu no sonho. Na pandemia, ao invés de se perceber nu, esse indivíduo se via sem máscara. 

A fase da pandemia foi muito rica para essas pesquisas?

Muito! Tivemos um boom nessa literatura. Muitos pesquisadores replicaram esse achado de conteúdo emocional intenso, inclusive ligado a outros métodos de leitura dos relatos de sonhos, vendo bizarrices, conteúdo de agressividade ou de relações sociais. Mais de um grupo levantou esses relatos com milhares de pessoas por meio de formulários distribuídos pela internet. Os pesquisadores verificaram que houve um aumento de intensidade emocional nos sonhos, principalmente de emoções negativas e agressividade ligadas à raiva e frustração. Mais de um grupo viu que as mulheres expressaram mais esse sofrimento nos sonhos durante a pandemia. Alguns acharam, inclusive, maior conteúdo de agressividade nos sonhos especificamente de mulheres neste período. Um estudo anterior do professor Michael Schroeder, bem caracterizado, já mostrava que havia um conteúdo emocional mais intenso em relatos de sonhos femininos. 

Um indivíduo está adoecendo mentalmente quando começa a ter sonhos mais tristes ou violentos?

Ainda não conseguimos afirmar isso com certeza em termos de Neurociência. Em algumas outras disciplinas, como a Psicanálise, os sonhos são a matéria-prima de produção de informação sobre o indivíduo, há muitos anos, para perceber sofrimento mental. As teorias existentes na área sobre o processo onírico sugerem que pode ser importante para percebermos como se dá o processamento das memórias do cotidiano, embora ainda precise de muita pesquisa e não exista consenso da comunidade científica. Mas as evidências se acumulam. 

Como é o processo do sonho?

O processo é bastante complexo em termos de mudanças eletrofisiológicas que acontecem em torno de três a quatro ciclos completos e com ampla variabilidade entre indivíduos. Essas fases bastante dinâmicas que ocorrem durante o adormecimento também têm uma relação importante com o processo onírico. A fase do sono REM – período de movimento rápido dos olhos – é quando o cérebro se parece mais com o cérebro que está acordado em termos de atividade neuronal capturada pela eletrofisiologia, mas o indivíduo está em completa atonia muscular. Se despertarmos a pessoa neste período, há uma grande probabilidade de se lembrar do sonho. É recente, para a Neurociência, ter como consenso de que existem sonhos de qualidades diferentes que ocorrem em outras fases, por exemplo, no período de adormecimento, que é o primeiro estágio do sono – chamado de N1. Trabalhei esse tema durante o doutorado, cuja pesquisa é liderada pelo professor Sidarta Ribeiro, que foi meu orientador. Ainda estamos nos debruçando sobre esses dados para estudar os sonhos que acontecem em outros períodos, mas espero que, em breve, o primeiro artigo seja publicado.

Qual a diferença entre esses sonhos?

Enquanto sonhamos quase um filme de Hollywood no sono REM, adormecendo temos sonhos curtos como um GIF, um vídeo curtinho. E a função desse sonhar é o que queremos entender. Dados que já temos revelam um pouco sobre esse processo e mostram que tem muito de regulação emocional também nesse primeiro estágio, embora seja algo ainda não consensual na literatura. Uma das linhas na Neurociência é a do professor Alan Robson, que acredita que esse sonhar seria apenas um epifenômeno ou um efeito colateral do que acontece no sono REM. Seria uma atividade dessincronizada do cérebro, como se a pessoa tivesse aleatoriamente espaços de memórias que iriam se associar de maneira randômica. Mas isso não explica as experiências de sonhos repetitivos que muita gente relata, ou sonhos relacionados ao transtorno de estresse pós-traumático, em que o indivíduo fica continuamente revisitando aquele tema. Isso também não explica fenômenos que observamos, embora mais raros, de sonhos que não estão na fase do sono REM, mas nesse movimento de ondas lentas em que o cérebro, de maneira mais global, está todo sincronizado e disparando tudo que significa estado de maior aquiescência, menor cognição e menor consciência – mais parecido com estados comatosos. Uma das perguntas é como temos lembranças e atividade onírica durante esse estado? Esse é o jogo da Ciência: a partir das teorias vamos desenhando os experimentos e colocando um tijolinho a mais nesse conhecimento.

Esse conhecimento pode ajudar a evitar ou tratar o adoecimento mental?

Na nossa pesquisa vemos como os relatos de sonhos são importantes para termos uma precisão nessa análise da estrutura da fala. Quando pedimos para os participantes contarem um sonho, só com o relato e a análise da estrutura da linguagem conseguimos perceber, com mais de 90% de precisão, se veio de alguém com diagnóstico de esquizofrenia ou sem sofrimento mental; ou se é um indivíduo que tem psicose, mas não esquizofrenia – como transtorno bipolar do humor. Sigo na UFRJ pesquisando porque falar sobre um sonho parece ser tão especial. Uma das questões que pode trazer luz para isso é o teor emocional dos sonhos, por isso, em 2017 comecei a aplicar um protocolo com imagens afetivas. Ao mostrar imagens de conteúdo emocional positivo ou negativo, as histórias contadas a partir delas são informativas sobre essa cognição – embora não tanto quanto o sonho. Pessoas com esquizofrenia, quando relatam o sonho, falam como se fosse um dia normal, de maneira linear e bastante empobrecida. Já indivíduos sem adoecimento mental falam de maneira muito mais enriquecida e conectando todas essas informações de forma que conseguimos entender. Ainda não tenho como afirmar o motivo de os sonhos serem tão importantes, mas já testamos a metodologia em pacientes crônicos e em primeiro episódio, crianças e adolescentes experimentando a crise pela primeira vez e em colaboração com pesquisadores e laboratórios pelo mundo, e percebemos que os sonhos parecem ser um tipo de relato bastante informativo. Faço parte de uma rede de pesquisadores especializados em esquizofrenia que se formou durante a pandemia, e temos nos debruçado nesse tema. Criamos um protocolo comum que pode ser explorado em diferentes culturas e idiomas, com as mesmas perguntas. Já somos cerca de 20 laboratórios e mais de 100 pesquisadores de países como Brasil, Canadá, Holanda, Turquia, Espanha, Estados Unidos, Austrália e Chile. 

Qual é o principal objetivo do grupo?

Queremos explorar melhor a viabilidade desse tipo de relato com fins diagnósticos. O que entendemos é que esse tipo de relato, com diferentes estratégias computacionais que podem ser aplicadas em larga escala, dá um potencial de estudarmos porque falar sobre um sonho pode ser importante, por exemplo, para prever um diagnóstico de esquizofrenia a tempo de lidar com isso antes de estourar uma crise. Um dos grandes potenciais é pensar nas crianças e nos adolescentes que ainda estão expressando sintomas atenuados e não tiveram o rompimento da psicose, que é algo muito traumático para o paciente e a família. Será que poderíamos ter marcadores que pudessem ajudar essa família a proteger a cognição desse indivíduo de uma maneira melhor? No futuro, será que falar sobre sonhos será uma ferramenta que pode nos indicar se o paciente está piorando, se precisa mudar a medicação ou dormir melhor? O grupo pretende que o sonho seja essa ferramenta ou um marcador para identificar o sofrimento mental antes que a pessoa agrave. No protocolo comum, uma das pergunta é ‘Me conta um sonho’. 

O que acontece com o cérebro de um indivíduo com esquizofrenia?

Sabemos muito pouco sobre a etiologia da doença, mas o modelo mais adotado é multifatorial. Tem uma carga genética e herança familiar importantes, mas são heranças poligênicas e não um gene específico ou uma cadeia de genes específica. E mesmo esse conjunto de genes não explica porque uma pessoa abre uma psicose e outras não. Cada vez mais, o campo de estudos se volta para entender o que acontece durante o desenvolvimento de indivíduos que tenderão a desenvolver esquizofrenia. Percebemos que muitos sintomas que trazem um apartamento das relações e estão na base de sintomas psicóticos, alucinações e delírios começam lá atrás. Esse isolamento, muitas vezes, iniciou na infância. Muitas famílias relatam isso e, quando olhamos só para os indivíduos que já romperam a psicose e fazem esse retrocesso, isso fica claro. Um estudo muito importante em Avalon, na Inglaterra, acompanhou todos os nascidos vivos da cidade fazendo essa curva de qualidade de desenvolvimento cognitivo. Quando fecharam os seguimentos de 20 anos, observaram que medidas como inteligência global e teste de QI já estavam diferenciadas nesses indivíduos aos quatro anos. Eles já tinham uma performance relativamente pior que os demais e isso vai se arrastando porque, nesta fase, essa criança não dá trabalho.

A família não percebe de início?

Exatamente! É aquele indivíduo tímido, que não faz amizade, prefere ficar sozinho, fala pouco e tem dificuldade de entender certas coisas, mas não expressa essa dificuldade. Pode tirar nota boa na escola e é aquele aluno que passa despercebido pelos professores, mas, quando chega na adolescência, começa a ficar esquisito. No entanto, esses sintomas atenuados se confundem muito com a própria adolescência. Quando acompanhados, percebe-se que a maioria desses indivíduos não tem sintomas psicóticos depois dessa fase, e só 30% vão romper com psicose. Participei de estudo em colaboração com um grupo de Glasgow, na Escócia, que seguiu indivíduos por sete anos e viu aqueles que faziam transição para a psicose. Quando aplicamos essa metodologia de estrutura da linguagem, vemos que os indivíduos que desenvolveram psicose tinham uma menor conectividade desse discurso. E esse marcador se tornava mais severo quando faziam o primeiro episódio. Por isso, a comunidade científica tem muito cuidado na hora de falar sobre isso para o público. Boa parte das pesquisas foi feita em centros internacionais e a caracterização é muito mais precisa desses marcadores de linguagem em inglês e em populações anglo-saxãs. Precisamos saber se esses marcadores se expressam do mesmo jeito em português brasileiro; no inglês australiano, com a população descendente de aborígenes, ou na África. Por isso esse esforço internacional para termos um protocolo comum e coletar o mesmo tipo de relato, em diferentes línguas e contextos culturais, levando em conta nível educacional, gênero e outros fatores. Já estamos em fase de coleta. São três centros no Brasil: eu na UFRJ, o professor Ary Gadelha, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e o professor Rafael Massuda, na Universidade Federal do Paraná (UFPR). 

A esquizofrenia é muito frequente em termos globais?

A esquizofrenia atinge em torno de 1% da população mundial, em diferentes locais e condições socioeconômicas. Esse número é alto do ponto de vista do problema que traz em termos populacionais, porque o indivíduo abre um quadro cognitivo grave que, muitas vezes, o impede de estudar e trabalhar. Ao sair da cadeia produtiva, deve ser protegido pelo Estado para manter a qualidade de vida. Se os cuidados começarem de uma maneira mais precoce, esses indivíduos conseguirão ter uma vida mais produtiva ou, ao menos, não tirarão pessoas da vida produtiva para cuidar deles. Quando se tem um paciente estável, toda a família está estável. Uma questão mais importante ainda são todos os outros diagnósticos confundidos com esquizofrenia de indivíduos que não têm a doença. 

Isso ocorre por falta de conhecimento sobre a doença?

Há todo um estigma em torno desse diagnóstico. Mas é importante lembrar que a psicose pode se manifestar em diferentes situações, inclusive na condição de saúde. Muitas pessoas podem ter sintomas parecidos com delírios e alucinações, e não necessariamente um episódio de psicose. E isso pode ser transitório, induzido por substâncias, provocado por epilepsia ou causa orgânica, por um tumor ou outras condições psiquiátricas que, frequentemente, têm sintomas psicóticos e podem ser confundidas com esquizofrenia. Dar esse diagnóstico errado é dar uma sentença de vida; é algo que tem de ser feito com muito cuidado. É importante que o médico fale de maneira esperançosa se tiver um paciente com quadro de esquizofrenia, explicando que pode conviver com isso se tiver determinados cuidados e tomar a medicação adequada, e que vai precisar se afastar de situações como, por exemplo, o uso de psicotrópicos como a Cannabis. Agora, o indivíduo que não tem esquizofrenia e recebe esse diagnóstico vai precisar de outros cuidados, até mesmo para se recuperar da situação traumática que é experimentar os sintomas de psicose e não ser estigmatizado por isso. O SUS tem um desenho de saúde comunitária na rede de saúde mental muito importante, e isso também precisa ser mais conhecido. E que o médico generalista que está na atenção primária entenda que a esquizofrenia não é problema só do psiquiatra, mas da comunidade, e que a comunidade precisa lidar com isso de maneira saudável e sem tabu. Quanto mais falarmos sobre isso, melhor!