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 Vegetais com alto valor nutricional

 Compostos presentes nos crucíferos têm efeito antioxidante e ação contra o câncer
 
Elessandra Asevedo
Especial para Super Saudável
 
Couve-manteiga, mostarda, couve-flor, couve de Bruxelas, rúcula, acelga, agrião, rabanete e brócolis são alimentos bastante conhecidos e estão presentes na dieta da maioria dos brasileiros. Pertencentes à família Brassicaceae, esses vegetais recebem o nome de crucíferos por possuírem o formato de cruz na superfície das folhas, e chamam a atenção pelo alto valor nutricional, com destaque para a presença de teores significativos de vitamina C, magnésio, cálcio, ferro e carotenoides com efeito antioxidante, além de possuírem baixo teor calórico. Os crucíferos também possuem componentes que podem ajudar a prevenir alguns tipos de câncer, a exemplo de mama, pulmão, próstata e estômago.

O pesquisador Marc Riedl, da Universidade da Califórnia (UCLA), nos Estados Unidos, descobriu que o sulforafano, composto encontrado nos vegetais crucíferos, desencadeia o aumento de enzimas antioxidantes nas vias aéreas que protegem contra a ação dos radicais livres inalados, evitando doenças respiratórias inflamatórias como asma e rinite alérgica. Segundo a nutricionista Kettelin Arbos, professora doutora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), tanto a vitamina C como carotenoides, flavonoides e glicosinolatos presentes nesses vegetais têm propriedades antioxidantes, e estudos recentes indicam que alguns glicosinolatos têm ação hipocolesterolêmica, reduzindo o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. “Os glicosinolatos extraídos desses vegetais possuem, ainda, efeitos na redução do risco do desenvolvimento de câncer”, enfatiza.

Há uma grande variedade de glicosinolatos nos vegetais crucíferos e os teores dependem não apenas do vegetal, mas também da parte da planta (flor, folha, caule), clima do cultivo e solo, entre outros. Nos vegetais, os glicosinolatos estão relacionados à defesa contra insetos e aclimatação a temperaturas mais elevadas, mas, para que tenham ação anticarcinogênica e antioxidante no corpo humano e se tornem um composto biologicamente ativo – isotiocianato –, os glicosinolatos precisam ser hidrolisados pela enzima mirosinase, que só é liberada durante o processamento dos vegetais por meio do corte, cozimento, congelamento ou mastigação.

A enzima e os compostos são muito sensíveis às altas temperaturas e solúveis em água, por isso, o cozimento dos vegetais também tem grande importância para promover os efeitos benéficos. “O ideal é cozinhar no vapor ou deixar por apenas três minutos em água fervente, sendo recomendável reaproveitar a água do cozimento”, ensina a pesquisadora e farmacêutica Patricia Bachiega, professora substituta da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e doutoranda na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP).

Mesmo sendo o responsável pelo efeito protetor contra o câncer, o composto biologicamente ativo isotiocianato já foi considerado vilão, por interferir na síntese do hormônio da tireoide ou competir com a captação de iodo pela glândula. No entanto, a pesquisadora Patricia Bachiega ressalta que somente o consumo regular não causa nenhum efeito adverso, podendo apenas ocasionar gases. Entre todos os crucíferos, o brócolis tem destaque pelo maior teor de glicosinolatos e maior efeito biológico. Uma porção de cerca de 100g de brócolis contém mais de 10g de glicosinolato, mas apenas 20% é convertido no composto biologicamente ativo. Já os brotos de brócolis têm o teor de glicosinolatos 100 vezes maior.
 
Coquetel contra oncer colorretal
 
Pesquisadores da Escola de Medicina Yong Loo Lin da Universidade Nacional de Cingapura, liderados pelo professor Matthew Chang, encontraram uma maneira de transformar um coquetel de bactérias e vegetais em um sistema direcionado que procura e mata as células cancerígenas colorretais. Usando técnicas genéticas, a equipe projetou o probiótico E. coli Nissle para que se ligasse à superfície das células cancerígenas colorretais e, assim, secretassem a enzima mirosinase para converter os glicosinolatos ingeridos pelo hospedeiro em sulforafano, uma pequena molécula orgânica com atividade anticancerígena conhecida.

A ideia era que as células cancerígenas nas proximidades interagissem com esse agente anticancerígeno e fossem mortas. As células normais não podem fazer essa conversão, nem são afetadas pela toxina, portanto, o sistema deve ser direcionado apenas para as células cancerígenas colorretais. Os microrganismos manipulados acoplados a glicosinolatos resultaram em mais de 95% de inibição da proliferação de células cancerígenas colorretais. A combinação de probióticos e vegetais reduziu o número de tumores em 75% em camundongos com câncer colorretal, e os tumores que foram detectados nesses animais foram três vezes menores do que nos controles que não foram alimentados com a mistura.