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 Esperança na prevenção do câncer

 Pesquisas sugerem alguns benefícios do uso dos probióticos para evitar neoplasias malignas

Adenilde Bringel

Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças de causas variadas e que têm em comum o crescimento desordenado de células que invadem tecidos e órgãos. Segundo o documento World Cancer Report 2014, da International Agency for Research on Cancer (IARC) – da Organização Mundial da Saúde (OMS) –, em 2025, 20 milhões de novos casos deverão ser registrados no mundo, principalmente em países em desenvolvimento, com forte impacto sobre a população. No Brasil, as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o biênio 2016/2017 indicam 600 mil novos casos. Por ser considerado um problema de saúde pública, cientistas de várias partes do mundo estão em uma busca incessante para tentar encontrar caminhos que permitam evitar o desenvolvimento do câncer e, no futuro, descobrir a cura para a doença. Uma das possibilidades pode ser o uso de probióticos – como o Lactobacillus casei Shirota (LcS), exclusivo da Yakult – devido à capacidade que esses microrganismos possuem de estimular as células do sistema imune, tal como macrófagos e Natural  Killer (NK), fundamentais para uma resposta mais efetiva contra a proliferação de células malignas.

Já é consenso que o sistema imunológico desempenha papel importante no controle de várias doenças, incluindo infecções e câncer, e que os distúrbios do sistema de defesa causam o aumento do risco dessas enfermidades. O mecanismo de ação da cepa probiótica Lactobacillus casei Shirota tem sido investigado no ambiente intestinal e no sistema imunológico, e estudos clínicos e epidemiológicos já revelaram que o microrganismo confere uma série de benefícios, como a ativação de células NK em indivíduos saudáveis ​​com baixa atividade dessas células imunológicas, prevenção de infecções do trato respiratório superior em atletas e redução, no início ou na recorrência, de vários tipos de câncer.

O mecanismo proposto pelos cientistas do Instituto Central Yakult, localizado em Kunitachi, Tóquio, assim como por cientistas de algumas universidades daquele país, é que o L. casei Shirota seja capturado pelos macrófagos e/ou pelas células dendríticas no intestino e, neste processo, as citocinas que ativam as células NK são liberadas. Com isso, as células NK ativadas atacam as células cancerosas. “O componente da parede celular do Lactobacillus casei Shirota é entendido como uma substância ativa e este é o modo de ação atualmente considerado. No entanto, ainda existem muitos mecanismos desconhecidos, tais como os caminhos que ativam as células NK, exceto citocinas, e células imunes citotóxicas diferentes das NK. A compreensão de todo o ecossistema intestinal é necessária para esclarecermos essas dúvidas”, afirma o pesquisador sênior do Instituto Central Yakult, Akimitsu Takagi, Ph.D., que esteve no Brasil para participar do III Simpósio Internacional de Imunologia no Esporte.

O pesquisador conta que, nos primeiros estudos com câncer em camundongos no Instituto Central Yakult, o L. casei Shirota era usado como medicamento. No entanto, este conceito foi alterado porque os cientistas encontraram uma conexão entre a biologia do câncer e a imunologia mesmo com a administração oral do L. casei Shirota. Em um estudo modelo de pesquisa não clínica, o cientista descobriu que a eficácia do L. casei Shirota na prevenção do câncer, administrado por via oral, dependia principalmente da atividade das células NK. “Quando apresentei o envolvimento de células NK no efeito preventivo do câncer na reunião anual da Associação Japonesa de Câncer, o grupo coordenado pelo Dr. Kei Nakachi relatou o envolvimento da atividade das células NK no risco de câncer como resultado de um estudo de coorte em grande escala. Esta participação na reunião foi muito impressionante”, relata.

A eficácia do LcS tem sido demonstrada em estudos clínicos e/ou epidemiológicos relacionados a câncer de bexiga, color retal, pólipo adenomatoso e mama. Assim como ocorre em muitos países, o câncer de mama também tem alta prevalência no Japão, por isso, é um dos temas de estudos do pesquisador Akimitsu Takagi. “A natureza do câncer de mama é diferente em nível molecular em cada paciente, porque o câncer ocorre a partir do distúrbio do DNA. Assim sendo, acredita-se que o tratamento deverá ser específico, personalizado. Acredito que a precisão e personalização da medicina estarão disponíveis em um futuro muito próximo. Por outro lado, as medidas para reduzir a incidência de câncer foram adiadas significativamente em comparação com o desenvolvimento da terapia. Além de melhorar a taxa de exame de rastreio, penso que é importante considerar como prevenir a ocorrência e a recorrência de câncer após o tratamento”, ressalta.

 
Soja e Lactobacillus casei Shirota

Com base em estudos epidemiológicos em câncer de mama em relação à ingestão de soja e Lactobacillus casei Shirota, e também estudos epidemiológicos múltiplos da ingestão de soja, o pesquisador acredita que a combinação dos dois ingredientes seja efetiva. Em um experimento com modelo animal, o cientista combinou a ingestão de L. casei Shirota e extrato de soja, e os resultados demonstraram que esta combinação pode ser eficaz na prevenção do câncer de mama. Em razão desses resultados, o doutor Akimitsu Takagi passou a estudar a prevenção do câncer de mama em combinação com Lactobacillus casei Shirota e alimentos com soja, baseado em imunologia, microbiota e outros mecanismos.