Picolé de menta para pacientes em jejum

Elessandra Asevedo
Especial para Super Saudável

Todo paciente cirúrgico precisa estar em jejum para diminuir o risco de aspiração do conteúdo gástrico durante o procedimento anestésico. Embora organizações científicas recomendem tempos adequados de acordo com o tipo de alimento ofertado – a American Society of Anestesiologists (ASA), por exemplo, sugere duas horas de jejum para água e oito horas para alimentos sólidos – nem todos os hospitais seguem essas recomendações e o paciente permanece em jejum por períodos elevados, o que aumenta a intensidade e o desconforto da sede. Com objetivo de encontrar uma alternativa para aliviar a sede neste período, o Grupo de Pesquisa em Sede da Universidade Estadual de Londrina (GPS-UEL) desenvolveu um picolé mentolado que se mostrou eficaz para diminuir esse desconforto.

“Tempos elevados de jejum são descritos por diversos pesquisadores pelo mundo todo e ocorrem por motivos diversificados, que compreendem o atraso no horário programado para a cirurgia, mudança de conduta médica e transferência de instituição, entre outros. Em pesquisas realizadas pelo GPS, encontramos pacientes que ficaram até 210 horas em jejum absoluto”, enfatiza a professora doutora Patricia Aroni, enfermeira docente do Departamento de Enfermagem da UEL e pesquisadora do GPS. Outros fatores também podem influenciar a presença e intensidade da sede, como o uso de alguns medicamentos e a ansiedade pré-operatória, que ocasionam ressecamento da cavidade oral e consequente liberação do hormônio antidiurético.

O estudo foi desenvolvido no Hospital Universitário da UEL com 40 pacientes cirúrgicos no período pré-operatório, divididos em dois grupos iguais – 20 receberam os cuidados comumente utilizados pela equipe de saúde e os demais degustaram o picolé mentolado, três horas antes do procedimento. Para avaliação, foram mensurados a intensidade e o desconforto da sede antes e 20 minutos após a degustação do picolé. “A fórmula gelada diminuiu significativamente a intensidade e o desconforto da sede, sem a necessidade de o paciente precisar ingerir grandes volumes de líquidos”, relata a pesquisadora. No pós-operatório imediato, o GPS já utiliza o picolé de gelo de 10ml há pelo menos quatro anos em dois hospitais. No entanto, o picolé mentolado ainda está em processo de instalação na prática hospitalar.

A formulação congelada em forma-to de picolé tem aroma e sabor semelhantes ao de uma bala de menta e foi desenvolvida contendo L-Mentol, reconhecido por suas propriedades de resfriamento. A escolha pelo sabor mentolado foi definida porque na região orofaríngea se encontram receptores- denominados Transient Receptor PotentialMelastatin 8 (TRPM8), que são ativados na presença de substâncias frias e mentoladas. Esse receptor, quando ativado, gera impulso elétrico projetando-se para uma área cerebral e proporcionando saciedade da sede. Na região orofaríngea há outros estímulos, como a umidificação da cavidade oral e deglutição, que também auxiliam no alívio da sede.