Diagnóstico precoce de Alzheimer

Sensor desenvolvido por pesquisadores da UFSCar ajuda a detectar doença em poucos minutos

Fernanda Ortiz
Especial para Super Saudável

Um método simples, rápido e de baixo custo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) ajuda a identificar, ainda na fase inicial, a doença de Alzheimer. Por meio de um simples exame de sangue, o sensor eletroquímico isola a proteína biomarcadora ADAM10 que, quando alterada, indica a presença da doença. Os cientistas acreditam que, com o diagnóstico precoce, é possível controlar a progressão do Alzheimer, aumentar as chances de tratamento por meio de diferentes intervenções e opções terapêuticas e, consequentemente, melhorar a qualidade e expectativa de vida dos pacientes. Devido ao baixo custo e rápido diagnóstico, os resultados dos estudos com o uso do sensor têm se mostrado promissores.

Para confirmar a viabilidade do exame, os pesquisadores selecionaram voluntários com mais de 60 anos de idade, divididos em três grupos: saudáveis, portadores de Alzheimer e com transtorno neurocognitivo leve (pré-Alzheimer). “Observamos que a proteína apresentava alterações, tanto nos pacientes com Alzheimer como naqueles pré-Alzheimer. Nas amostras testadas, ficou clara a diferença nos valores da ADAM10, demonstrando que o método tem boa precisão e, portanto, mostra-se eficaz para o diagnóstico precoce”, afirma a professora doutora Márcia Regina Cominetti, do Laboratório de Biologia do Envelhecimento (LABEN) do Departamento de Gerontologia da UFSCar, que coordena os estudos em conjunto com o professor doutor Ronaldo Censi Faria, do Laboratório de Bioanalítica e Eletroanalítica (LABiE) do Departamento de Química da instituição.

O diagnóstico é realizado utilizando pequena quantidade de sangue tratado com partículas magnéticas modificadas, que permitem a captura e separação do biomarcador da amostra. As partículas magnéticas contendo o biomarcador são retidas com uso de imã e sua concentração no sangue é determinada por meio do sensor eletroquímico com anticorpos. “Um sensor identifica a quantidade de proteínas na corrente sanguínea, um programa de computador lê os dados e, em poucos minutos, mostra se o paciente apresenta alteração”, descreve a pesquisadora. O nível do biomarcador no sangue tende a aumentar de acordo com o avanço da doença.

Na grande maioria dos casos o diagnóstico da doença de Alzheimer é tardio, uma vez que os sintomas podem ser confundidos com o processo natural de envelhecimento ou descobertos apenas a partir de avaliação clínica e de relatos da família. Em geral, esses achados são complementados com exames de imagem como tomografia de emissão de pósitrons, tomografia computadorizada e ressonância magnética. “Esses exames possuem custo muito elevado e se baseiam na medida de danos neurológicos já existentes, ineficientes para detectar sintomas iniciais da doença e inviáveis para as análises de rotina. Desta forma, o uso do sensor que possibilita um achado precoce é a chave para controlar a progressão da doença e, evidentemente, para a melhor qualidade de vida do paciente”, acentua a pesquisadora.

A patente do dispositivo já foi registrada, mas o licenciamento continua em negociação. “Para que o exame esteja disponível são necessárias, ainda, análises de um maior número de amostras de voluntários para validação da proteína como efetivo biomarcador da doença de Alzheimer”, informa a professora Márcia Regina Cominetti. Sem previsão para implantação, os próximos passos dos pesquisadores envolvem, além da busca de parceiros interessados, o desenvolvimento de um sensor com características mais comerciais, assim como a validação e aprovação do método junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).